sexta, 26 setembro 2014 19:38

Exaustão atinge jovens oncologistas europeus

INTERVENÇÃO É NECESSÁRIA

Mais de 70% dos jovens oncologistas europeus apresentam sinais de exaustão. Esta é a conclusão do maior estudo do género levado a cabo pelo ESMO Young Oncologists Committee. Os resultados divulgados hoje, dia 26, no Congresso ESMO 2014, revelam a necessidade de uma rápida atuação a vários níveis.

A Dr.ª Susana Banerjee, autora responsável pelo estudo e médica oncologista no The Royal Marsden NHS Trust em Londres, refere que "a oncologia é uma carreira excecional, mas que pode ser exigente e stressante".

Tomar decisões complexas sobre a gestão do cancro, supervisionar o uso de terapias tóxicas, trabalhar longas horas e contactar com o sofrimento e morte de doentes são fatores que podem contribuir para o risco de desenvolvimento de exaustão, como afirmou a especialista. Acrescem outras razões, nomeadamente o aumento de expectativas e a redução dOS recursos disponíveis.

O estudo realizou-se através de um inquérito a 595 oncologistas com idades inferiores a 40 anos, em toda a Europa. Dos inquiridos 71% revelaram sinais de exaustão.

A exaustão é definida por uma síndrome caracterizada por esgotamento emocional, despersonalização (tratar pessoas como se fossem objetos) e ausência de motivação para trabalhar. A oncologista destacou que esta exaustão pode ter consequências graves tanto a nível pessoal (ansiedade, depressão, dependência de substâncias ou álcool e suicídio), como profissional.

O estudo demonstrou que risco elevado de desenvolvimento de exaustão está relacionado com um desequilíbrio entre a vida pessoal e lado profissional. A nível da gestão hospitalar, o elevado número de doentes para um escasso número de recursos humanos está também relacionado com o aumento de casos de exaustão.

Num espectro mais amplo, a exaustão destes profissionais pode vir a ter implicações profundas a nível da prestação dos cuidados de saúde, implicando à diminuição da qualidade dos cuidados prestados aos doentes oncológicos e até ao abandono prematura da profissão.

Ficou demonstrado que as taxas de exaustão variam significativamente no continente europeu. Os dados mais elevados registaram-se na Europa Central (84%) e os mais baixos no Norte da Europa, incluindo Reino Unido (52%).

Reconhecer a extensão e as implicações deste problema nas atuais e futuras gerações de oncologistas deve ser o primeiro passo para ultrapassar a questão, segundo a Doutora Susana Banerjee. "A exaustão não deve ser estigmatizada como uma fraqueza. Devemos apoiar os colegas na recuperação e prevenção."

Os interessados podem assistir à apresentação do estudo "Professional Burnout in European Young Oncologists", na sessão do dia 28 de setembro, entre as 11h30 e as 11h45, na sala Alicante.