A necessidade de uma melhor colaboração entre os médicos e as autoridades de saúde numa escala internacional é a grande chamada de atenção dos estudos citados, de forma a garantir aos doentes o acesso aos melhores tratamentos.
O processo de aprovação dos fármacos é importante na medida em que garante a adequabilidade de terapias seguras e eficazes aos doentes, explica o autor sénior do estudo "Cross-comparison of cancer drug appovals among internacional regulatory bodies", Dr. Sunil Verma, do Sunnybrook Odette Cancer Center (Toronto).
O estudo referido é o primeiro a comparar sistematicamente a aprovação de fármacos oncológicos entre as três maiores agências reguladoras - US Food and Drug Administration (DFA), European Union's European Medicines Agency (EMA) e Health Canada.
A comparação do tempo de aprovação de 41 fármacos oncológicos, nas três entidades, revelou que na FDA o período de aprovação é 6 meses mais curto do que na EMA e 7,6 meses mais rápido do que na Health Canada.
Se a aprovação das agências reguladoras é importante para ajudar a garantir a segurança e eficácia de novos fármacos, o oposto pode ter um impacto negativo no tratamento dos doentes.
A nível internacional é essencial que haja uma ação coordenada para assegurar que os novos fármacos contra o cancro são aprovados em tempo útil, referiram em comunicado os representantes dos estudos.
"É necessário estabelecer um diálogo entre a indústria, agências reguladoras, associações de doentes, comunidades de investigação e profissionais de oncologia para diminuir o tempo de aprovação, garantindo a segurança dos fármacos aprovados", destaca o Dr. Sunil Verma.
Na perspetiva do Dr. Ades Moraes, autor do estudo "Are life-saving anticancer drugs reaching all patients? Patterns and discrepancies of traztuzumab use in the European Union and the USA", a colaboração entre os diversos intervenientes é imprescindível do ponto de vista de viabilidade económica.
Como afirma o especialista, "o tratamento do cancro e os fármacos oncológicos são cada vez mais complexos e dispendiosos, assim uma relação próxima entre autoridades de saúde e médicos pode melhorar dramaticamente o tratamento dos doentes e a sobrevivência ao cancro pela determinação de prioridades na distribuição de recursos financeiros na saúde."
Perante os resultados questiona-se a origem das diferenças citadas. Num comentário relativo às conclusões, o Prof. David Cameron, diretor do Edinburgh Cancer Research Centre (Reino Unido), sublinha a necessidade de se compreenderem as razões por detrás destas diferenças que, por vezes, recaem sobre processos burocráticos. Para o comentador estas discrepâncias conduzem a diferentes benefícios geográficos por parte dos novos agentes.




